quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Primeiro capítulo

  Até que enfim consegui publicar esse livro. Pra começar, o livro ainda não tem nome, muito menos os capítulos. Aí vai:



Capítulo 1

  _Alô - eu disse ao telefone. Era Colby me ligando mais uma vez para confirmar o trabalho de ciências que eu insistia em deixar para depois. 

   _Não, eu ainda não terminei, mas calma! Ainda faltam duas semanas! -eu disse. Era muito claro que ele tinha uma preocupação excessiva com os estudos, diferente de mim, que ia levando normalmente. Então eu educadamente me despedi ao telefone e voltei para a televisão. Eu estava assistindo a um filme pela 3ª vez, mas não ligava pra isso. Eu estava sozinha em casa, relaxando num encontro a sós com meus pensamentos. Então o telefone tocou de novo e eu atendi. 
  _Colby, eu não vou fazer esse trabalho hoje! Por favor, para de me ligar! - Mas a voz que respondeu do outro lado não foi a de quem eu esperava. 
  _Sally? Sou eu!. - Eu já tinha sentido um calor de vergonha.
  _ Pai! Desculpa, pensei que fosse outra pessoa! Como que você ta  aí? Viagem estressante? - Eu só queria mudar de assunto.
  _Filha, eu to ótimo aqui. Quem diria que quando se viaja toda a semana, acaba ficando relaxante? E como que estão as coisas aí, querida? - O que eu iria dizer? Eu estava no Brasil e ele viajava por toda a América do Norte. Desta vez ele estava em uma viagem de algumas semanas em Michigan, Estados Unidos. 

  _Está tudo ótimo pai, como deveria estar.
  _ E a sua mãe? -perguntou ele. 
  _Foi ao mercado, deve voltar daqui a uma meia hora. 
  _Então, tudo certo. Querida, tenho que desligar. Peça pra sua mãe me ligar. Tchau. 
  _Tchau pai! - Então eu desliguei e voltei pro sofá. Um belo sábado a tarde. Deixei meus pensamentos voarem. Entre as coisas mais insignificantes, tentei pensar o porquê do meu nome. Por que será que mesmo eu sendo brasileira, tenho um nome claramente estrangeiro? Ta certo que minha mãe nasceu nos Estados Unidos e se mudou pra capital de São Paulo com apenas dois anos de idade, mas por que um nome que ninguém consegue pronunciar? Meus pensamentos foram interrompidos pelo toque do meu celular. Minha mãe mandou uma mensagem de texto dizendo que ia demorar mais um pouco, então eu iria ser encarregada de cuidar do meu irmão enquanto ela não chegasse. Bastou falar nele que já ouvi o carro do amigo mais velho dele chegando em frente a minha casa. Aí eu já sabia que minha paz tinha acabado. O som de um motor de um Citroen C3 estacionando na minha calçada já era bastante incomodativo. A porta abre e um pirralho de 13 anos chega correndo, jogando a bolsa da escola em qualquer lugar e gritando paranoicamente que precisa chegar ao seu Playstation 3... Até agora eu não tinha entendido o porquê da minha mãe não ter pago um psicólogo ao invés de um vídeo game. Aí bate na porta o amigo dele...
  
  _Toc toc... Alguém em casa?
  _Não, mané, minha assombração...
  _Hum... Tem alguém de mal humor?
  _Qual que é Eduardo? Não tem outro pra encher? – Se ele me irritasse mais um pouco, eu ia pessoalmente chutar ele pra fora de casa.
  _Bom... Só vim aqui pra jogar um pouco com seu irmão... – Ele disse passando a mão nos cabelos... Aqueles cabelos castanhos claros, macios de dar inveja. Me senti mal por não poder controlar meus pensamentos a essa hora. 
  _Tanto faz... Bem, ele ta lá em cima. Se estiver com fome fala com ele, da última vez que entrei lá ele tinha um restaurante com buffet embaixo da cama... bom...
  _Ha ha... Então ta... – Ele coçou o nariz, meio que sem jeito e subiu as escadas. Acho que eu fui meio rude, pela cara que ele fez de desculpa-ter-sido-um-idiota-antes. Ele era legal, de verdade, mas de vez em quando sabia quando deixar alguém louco... principalmente as meninas. Meus pensamentos já estavam me deixando louca. A essa hora os dois já estavam fazendo a maior bagunça la em cima... o que não iria fazer diferença no quarto do Fábio, meu irmão chato. Tentei ignorar o barulho e voltar para o filme. Estava assistindo “Como se fosse a primeira vez” e já tinha perdido uma boa parte por causa das interrupções. Agora eu não estava mais sozinha em casa, por isso a sala já não era tão confortável. Desliguei a TV e subi as escadas, direto para o meu quarto. No caminho passei pelo quarto do meu irmão e os garotos continuavam concentrados no vídeo game. Dei mais alguns passos mais e cheguei no meu quarto. Fechei a porta, coloquei o som alto e comecei a ler meu livro deitada na cama. Paz, enfim. Li a metade de um capítulo e decidi usar o computador. Recebi um e-mail do Vinícius, meu namorado, dizendo que ele estava com saudades e que estava ancioso pra me ver na segunda-feira na escola. Respondi carinhosamente dizendo que eu também estava. Ele era muito meloso de vez em quando, mas eu não me incomodava. Recebi outro e-mail da minha irmã, Susan, dizendo que ela iria voltar logo. Ela tinha ido passar uns tempos na casa da vovó em Campinas. Disse que estava com saudades e mandou algumas fotos anexadas. Meu pai também enviou algumas fotos. 
   Fiz tudo que tinha que fazer, desliguei o computador e sentei na cama. Olhei para o relógio e não passavam de 5 da tarde. Fechei os olhos e deixei meus pensamentos voarem. Fiquei lá por um bom tempo até escutar o Corolla preto da minha mãe virar a esquina. A rua era muito silenciosa. Eu fui a primeira a descer as escadas. Então minha mãe abriu a porta:


  _Mãe!
  _Filha! Seu irmão já chegou do futebol?
  _Sim! O Fabinho está la em cima jogando vídeo game com o Eduardo. 
  _Falando no Eduardo, tenho que achar um jeito de agradecê-lo por ficar levando o Fabinho pra cima e pra baixo de carro. – Bastou falar nele:


  _A senhora não precisa, é sério! Pra falar a verdade, andar com o Fabinho é meu passatempo favorito. 
  _Eduardo! Ora, não seja tão bonzinho. No próximo final de semana faremos um jantar para reunir as famílias. Por falar nisso, como está Carla?
  _Minha mãe está ótima. Mandou lembranças. – A essa hora eu estava sentada no sofá, ouvindo os dois conversando como vizinhas fofoqueiras. Não ri porque seria muita falta de educação com as comadres. 
  _Mãe, Susan e o papai mandaram notícias. Estão ótimos e com saudades.
  _Que ótimo! Avise que já estamos com saudade. – Ela disse enquanto saia da copa e ia em direção á cozinha. Sorrateiramente, Eduardo atravessou a copa e sentou no sofá ao lado do meu.


  _Acho que vou ter que te ensinar algumas regras de etiqueta. – Ele disse com um sorriso.
  _Nhe nhe nhé. – De vez em quando, éramos como criancinhas brigando. Isso provava que depois de alguns 10 anos, nada mudou.
  _Bom, isso não é um comportamento educado...
  _E eu te perguntei? Você com certeza é um grande exemplo, não é? Cínico... – Eu fiz uma cara digna de encerrar qualquer discussão, mas ele tinha as palavras que faziam acabar tudo bem:
  _Bem, se você quiser eu ainda posso te dar umas aulinhas básicas de finjimento... – Ele disse. Ficou claro que ele queria encerrar aquela discussão da maneira menos justa quando ele me lançou aquele olhar de parar o trânsito acompanhado de um sorrisinho. Eu dei um sorriso torto de volta. Ele pegou as chaves do carro e andou até a porta, enquanto dizia:


  _Tenho que ir. Segunda-feira eu venho dar uma carona para o Fabinho. Você pode vir junto, se quiser. – a idéia de andar em um carro ao envés de um ônibus era tentadora.
  _Vou pensar. – eu disse sorrindo.
  _Então, até lá. – ele disse e fechou a porta. Nossa amizade tinha um estranho transtorno bipolar. Uma hora estávamos brigando, noutra estávamos brincando e de repente já estávamos flertando. Eu não tentava entender, porque era a coisa mais divertida no meu tempo livre. Estava me deixando levar pelos pensamentos. Tinha acordado cedo e estava cansada, então resolvi ir para meu quarto. Subi as escadas e passei novamente pelo quarto do meu irmão. Ele continuava jogando. Cheguei ao quarto, sentei na cama quase me jogando e peguei meu livro. Devo ter lido uns dois ou três capítulos, porque quando eu olhei no relógio eram quase 7 horas. Olhei pela janela e vi o crepúsculo. O sol tinha acabado de se pôr. Nem vi o tempo passar direito. Só senti o cheiro da macarronada que minha mãe estava preparando na cozinha. Aquele cheiro foi o bastante pra me lembrar que eu não tinha comido nada desde o almoço, pois o meu estômago respondeu. Desci as escadas até chegar a cozinha, onde o cheiro era mais forte.
  _Ainda bem que você desceu, nem precisei chamar. – minha mãe disse.
  _Com esse cheiro pela casa, nem precisa mesmo. É o que?
  _Macarrão ao molho branco com um toque só meu. – Ela respondeu com uma cara de orgulho. Minha mãe amava cozinhar. Ela fazia aquela refeição mais simples parecer um banquete. Meu pai e meus irmãos viviam elogiando e comigo não era diferente.
  Depois de tudo pronto, arrumamos a mesa e jantamos. Enquanto comíamos, minha mãe perguntou a Fabinho sobre a escola. As notas dele estavam na média, mas o comportamento não estava exemplar. A mesa não costumava ser assim, com apenas nós três. Minha mãe até começou a reclamar de saudades de Suzan e do meu pai. Depois de muita conversa, terminamos o jantar e arrumamos a mesa. Fomos a sala assistir TV. Minha mãe assistiu a uma série que eu nem sequer vi qual era, pois eu já estava muito cansada. Minha mãe assistia com meu irmão enquanto eu lutava pra não dormir. Ontem tinha sido um dia cansativo, mas apesar disso, nada interessante. Olhei no relógio e já eram 11:35 da noite. Decidi ir dormir, já que ali não tinha mais nada pra mim fazer. 


  _Mãe, boa noite. Eu to subindo.
  _Boa noite filha.
  _Boa noite Fábio. – De qualquer jeito, eu não esperei uma resposta dele. Subi correndo, fui ao banheiro e escovei os dentes. Fui ao meu quarto e me joguei na cama, do jeito que eu estava, deitei e fiquei olhando para o teto, pensando. Bruna, minha melhor amiga, não tinha dado notícias hoje, mas isso não me surpreendia, já que o máximo de tempo sem nem dizer “oi” foi um mês, quando ela saiu de férias com a família. Yasmin também não havia dado notícias, mas eu já estava reclamando demais. O relógio marcava 00:05. Decidi dormir. Amanhã era domingo. Meus domingos eram sempre incertos. Ás vezes eram agitados, ás vezes parados, mas eu só descobria quando ele chegava. Senti o cansaço chegar e acabei adormecendo.


  Esse é só o primeiro capítulo, ja to escrevendo o segundo. E olha os direitos autorais, hein??



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